Dicas Práticas

DeRE Fase 2: ajuste do balancete mensal e integração contábil

29 de junho de 2026 6 min de leitura MAX - DLL Tecnologia
DeRE Fase 2: ajuste do balancete mensal e integração contábil

Existe um tema importante para a rotina contábil e fiscal: a DeRE Fase 2 altera o layout e as exigências do balancete mensal. Existe um caminho para adaptação. A DLL orienta.

O que muda

A segunda fase da DeRE traz padronizações e campos adicionais no arquivo do balancete mensal, com foco em maior detalhamento da origem tributária dos lançamentos e na rastreabilidade entre contabilidade e apuração fiscal. Entre as alterações que impactam processos e sistemas estão:

  • Novos campos obrigatórios para identificação da natureza da receita/despesa, base de cálculo, e vínculo documental (nota fiscal ou outro comprovante).
  • Detalhamento por critérios fiscais, exigindo que lançamentos possuam classificação compatível com regimes e incentivos aplicáveis.
  • Validações mais estritas no momento de geração do arquivo, com rejeição de inconsistências básicas entre saldo contábil e informações tributárias.
  • Exigência de relacionamentos entre lançamentos do balancete e registros do módulo fiscal (por exemplo: vinculação a documentos fiscais eletrônicos e à apuração de tributos).
  • Ajustes no layout do arquivo eletrônico, incluindo campos para identificação de centros de custo ou segmentos operacionais quando relevante para apuração.

Prazos e implantação

A implementação foi escalonada em fases para permitir adequação de sistemas e processos. Os prazos incluem período de transição em que validações são informativas antes de se tornarem bloqueantes. Para a maioria das empresas isso significa planejar a adequação em ciclos trimestrais: levantamento de requisitos, ajustes nos sistemas, testes e entrada em produção no ciclo fiscal seguinte.

Na prática, escritórios contábeis e PMEs devem considerar um cronograma próprio alinhado com fornecedores de ERP/contábil e com o calendário fiscal da empresa, priorizando clientes com maior volume de operações ou regimes tributários diferenciados.

Impactos no balancete mensal

As mudanças afetam diretamente o conteúdo e a qualidade do balancete mensal:

  • Maior granularidade dos lançamentos: será necessário detalhar por natureza tributária, o que aumenta a necessidade de consistência entre plano de contas e tabelas fiscais.
  • Reconciliações mais frequentes: divergências entre saldo contábil e campos tributários poderão impedir a validação do arquivo final, exigindo rotinas adicionais de revisão.
  • Efeito sobre demonstrações auxiliares: relatórios de centros de custo, apuração por regime e análises gerenciais podem precisar ser recalculados para refletir os novos critérios.
  • Controle de ajustes fiscais: identificadores para ajustes e estornos deverão constar de forma padronizada, facilitando auditoria e fiscalizações.

Como se preparar: ajustes em sistemas e controles

A preparação envolve três frentes: tecnologia, processos e pessoas. Recomendações práticas:

  • Mapear o plano de contas e vincular cada conta às classificações fiscais exigidas no novo layout.
  • Atualizar ERPs e sistemas contábeis com os novos campos e regras de validação. Confirme com o fornecedor as versões liberadas e prazos de suporte.
  • Testar geração do arquivo em ambiente de homologação, simulando cenários comuns e exceções (ajustes, estornos, operações intercompany).
  • Aprimorar controles internos: rotinas de conciliação banco x contabilidade, reconciliações fiscais e checkpoints automatizados antes do fechamento.
  • Documentar regras de classificação e tratamento fiscal de lançamentos para reduzir a dependência de conhecimento tácito.
  • Estabelecer SLAs com fornecedores de software e com clientes internos para resolução de inconsistências durante o fechamento.
NA PRATICA

Checklist mínimo para o próximo fechamento mensal: 1) confirmar versão do sistema com suporte à DeRE Fase 2; 2) rodar geração de teste do balancete e revisar rejeições; 3) ajustar mapeamento de contas fiscais; 4) executar reconciliação-chave (balancete x apuração tributária); 5) registrar evidências de validação e liberar o envio apenas após checagem completa.

Boas práticas

Para reduzir retrabalho e riscos de não-conformidade, adote práticas que tornem o processo previsível e auditável:

  • Automatizar validações antes do fechamento para capturar inconsistências em tempo útil.
  • Padronizar classificações em tabelas compartilhadas entre áreas contábil e fiscal.
  • Registrar evidências das reconciliações e das correções aplicadas, preservando histórico para auditoria.
  • Capacitar equipes para leitura do novo layout e para identificar causas comuns de rejeição.

O papel do contador

O contador continua sendo a ponte entre números, compliance e gestão. Na transição para a DeRE Fase 2, o escritório tem papel estratégico em:

  • Orientar clientes sobre adaptações processuais e priorização de casos críticos.
  • Validar mapeamentos do plano de contas com foco tributário e operacional.
  • Conduzir testes e homologações, documentando resultados e propondo correções.
  • Transformar o cumprimento da nova obrigação em oportunidade para melhorar controles e oferecer serviços de diagnóstico e automação.

A implantação da DeRE Fase 2 exige coordenação entre tecnologia, contabilidade e fiscais da empresa. A adequação não é só técnica: é uma atualização de processos que reduz riscos e melhora a qualidade da informação contábil e fiscal.

A DLL orienta: comece pelo mapeamento do plano de contas, valide a versão do seu software com o fornecedor, e implemente testes de geração do balancete em ambiente controlado. Nossa proposta é atuar como parceiro na integração entre sistemas e na definição de rotinas de controle que transformem esta exigência em ganho de governança.

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